sexta-feira, 3 de maio de 2013



O botequim ao lado.



Como não poderia deixar de ser, existia um botequim de um português, o seu Manuel.

Ele abastecia os apartamentos de refrigerantes e cervejas que eram ali consumidos ou trazidos para suas residências sem pagamento. 

As compras eram anotadas num caderno velho e sujo, cujas folhas eram tituladas com os números dos apartamentos consumistas.   

Era o paraíso das por causa das balas e guloseimas e ponto de encontro dos chefes de família que faziam dali o seu Happy Hour a cada chegada do trabalho. 

Ali se discutia futebol, política e como esperado, o assunto predileto da galera: mulher.  

A mulherada do prédio ficava uma fera, porque sabiam do que rolava e ia ate tarde o que atrasava o jantar que coincidia com o horário das novelas. 

No final do mês, os consumistas pagavam as suas contas, fechadas no velho caderno. 

O engraçado e que o seu Manuel incluía na soma, feita com a lápis preso na orelha, o numero do apartamento, só percebido pelos moradores depois que o morador do 1801 protestou. 

Nesta época, por causa da inflação a moeda era infame. 

Um quilo de file custava 5 mil cruzados. 

Vários fatos marcaram o lugar. 

Certa vez entrou um novo morador do predigo no botequim e solicitou a carta de vinhos, no que de pronto, respondeu o seu Manuel: temos carta de baralhos para jogar 21. 

Vinho tem o Sangue de Boi de garrafão muito apreciado pelos gajos. 

Noutra feita, a bronca de um prestador de serviço. 

O boteco servia refeições barata para o pessoal que  trabalhava nas obras ao redor e aos próprios empregados do prédio.   

O homem trabalhava com o seu irmão numa obra do prédio. 

Para não parar o serviço, um almoçava antes,  e o outro depois. 

Sempre o mesmo horário, 11,30 h chegava o irmão para o almoço. 

Ás 12,00 horas chegava o homem. Uma rotina. 

Pedia um conhaque, para abrir o apetite e depois a gororoba (comida). 

No final do dia, outro conhaque para relaxar, só para ele, sempre acompanhado pelo irmão. 

Neste dia, depois de pedir o conhaque, o homem esbravejou: Se deres conhaque para o meu irmão no almoço vou-lhe  quebrar.    

O que seu Manuel nada entendeu, respondendo apenas: ora, pois pois. 

Mas a bronca feia foi por parte o síndico.

Embora brigão e turrão, tinha um coração enorme. 

Percebendo a dificuldade dos empregados ele solicitou em Assembleéia uma verba para a comida dos empregados, o que foi aprovado.  

Nesta época ainda não existia a obrigatoriedade do vale refeição, beneficio concedidos, na época, somente por grandes corporações.  

O síndico, fez então uma parceria com o seu Manuel, que fornecia as refeições para os empregados e ao final do mês era reembolsado. 

Numa feita, o síndico decidiu tomar uma cervejinha gelada no boteco. 

Enquanto aguardava o seu Manuel trazer a mesma ele  pode observar que diversos empregados bebericavam a cerva além de consumirem cigarros. 

O malandro do Portuga aceitava o vale refeição em troca de fumo e bebidas. 

O convenio acabou e o síndico resolveu montar uma cozinha. 

Mas isto e outra historia.

               
O Condomínio

Nosso condomínio fictício e um prédio grande com 18 andares e 140 apartamentos com aproximadamente 700 pessoas entre adultos, idosos crianças, aborescentes, empregados e prestadores de serviços.   


O condomínio, como nao poderia deixar de ser, possui piscina, saunas, quadra polivalente e churrasqueira de modo a propiciar uma convivência comum no intuito de motivar amizades, namoros, mas também fruto de muita discórdia e confusão. 

Com cerca de 20 empregados que moram e vivem no prédio em instalações bem simples e com a convivência de empregadas e patrões, o dia a dia e agitado. 
 
O condomínio em questão fica em um bairro tradicional, reduto da classe media no Rio de Janeiro. 

O bairro, no passado, propiciava aos moradores as facilidades de convivência, pelos clubes, praças e cinemas   com festas tradicionais e comemorações. 

Tudo começava nas brincadeiras nos parquinhos das praças  passando para grandes amizades e ate mesmo noivados e casamentos, sem contar com os amantes sedutores e apaixonados. 

Hoje, talvez por segurança, tudo isto migrou para os prédios e sua infraestrutura. 

Nosso prédio e novo, recém-habitado, financiado a perder de vista, com moradores jovens, recém-casados, alguns com filhos pequenos.

Na primeira reunião para instalação do condomínio, foi aprovado o regulamento interno, inspirado no regimento de colégios de freiras, fora da realidade de nossos dias.


Foi o rpincipal  responsável pelos problemas diários de convivência mas que permitiu a realização desta obra.


CRÔNICAS DE UM SINDICO ESTRESSADO

Apresentação


Crônicas de um síndico estressado e uma coletânea de histórias, algumas verídicas, outras, quase verdades,  acontecidas no dia a dia de  um condomínio fictício na gestão de um síndico super estressado. 

Estas crônicas foram possíveis, graças a experiência vivenciada pelo autor, como síndico e subsíndico de diversos prédios em que morou durante os seus 60 anos de vida. 

Foram anos e anos de convivência com condôminos das mais diversas culturas, credos, posição social e instrução nos mais diversos condomínios, grandes, pequenos, de apartamentos ou casas. 

A estes, o meu muito obrigado. 

Sem a convivência com eles seria impossível a transcrição das crônicas apresentadas.


O autor, iniciou sua vida de sindico aos 25 anos em um prédio com somente doze apartamentos e mil problemas. 

Dai para frente foram prédios grandes, pequenos e condomínios de casa na praia e na serra.

O autor e engenheiro aposentado e professor.


Rio de Janeiro abril de 2013.