Nosso prédio, por apresentar confortos como
quadras de esportes, piscina, saunas, salão de festas e churrasqueira,
precisava de uma infraestrutura condizente. Por causa disto o quadro de
empregados era grande, com cerca de vinte empregados. Fora isto ainda tinha a
parte de energia, abastecimento de agua e manutenção, fazendo o condomínio
oneroso. Por esta razão, o aluguel era barato. Isto porque o proprietário que
não morava no prédio, não queria ficar pagando a taxa de condomínio e os
impostos para manter o apartamento fechado. E para o inquilino, o que importava
era o custo mensal total, incluindo condomínio e taxas.
Além isto, ainda tinha
as cotas extras que eram de responsabilidade dos proprietários. Como a oferta
era grande, o aluguel era bastante atraente. Isto atraiu estudantes de fora da
cidade do Rio de Janeiro, para fazer do apartamento uma república de estudantes,
já que o aluguel, condomínio e taxas, divididos por cinco ou seis estudantes
era bastante interessante. Mas tinha um problema. Na época, as unidades eram
unifamiliar, portanto o procedimento era ilegal. Mas a primeira república de
estudantes foi instalada assim mesmo. Eram cinco jovens rapazes, estudantes de
medicina, cujos pais, do interior, os bancavam na cidade. No inicio não houve
problemas, embora os moradores reclamassem preocupados com o futuro. Eles também
eram motoqueiros, o que facilitava o transporte pela cidade. Ocorre que o
prédio tinha uma vaga, sem demarcação para cada apartamento e ficou combinado
que eles ocupariam uma vaga onde seriam estacionadas as três motos. Como motoqueiro
tem amigos motoqueiros, era constante a chegada dos mesmos para visita aos
amigos. Para variar, estacionavam as suas motos nas vagas destinadas aos demais
moradores. Isto sempre causava transtornos, principalmente no final do dia,
quando a maioria dos moradores retornava do serviço. Certa feita, um visitante
dos estudantes, parou a sua moto grande dentro da garagem, ocupando
inteiramente uma vaga. Os moradores chegando e nada de encontrar vagas, porque
além da moto, alguns moradores espertos, com dois ou mais veículos estacionavam
dentro do prédio. Mas o caso da moto era visível. Revolta geral. Chamam o
síndico. O homem esbravejou perguntando ao zelador de quem era a moto em questão.
Com a identificação que era um visitante dos rapazes da república, o zelador
ligou o interfone para o apartamento, informando que fosse retirada a moto. O
visitante, dono da moto, lutador de artes marciais, respondeu que não tinha
macho no mundo que o fizesse fazer isto. O síndico, irritado com a resposta,
chamou três empregados e colocou a moto na rua. Depois, mandou o zelador ligar
para o apartamento e dizer que o macho jogou a moto dele na rua e que estava
esperando na portaria. Recado dado, o visitante conferiu, pela janela do
apartamento que realmente sua moto estava fora do prédio. Bufando, ele foi para
o elevador dizendo que ia quebrar o sindico. Foi contido pelos amigos que
avisaram que o homem era fogo e contaram a história dos tiros da quadra de
esportes. Tratava-se do mesmo personagem. Daí as coisas foram piorando, de
amigos para namoradas e outras do gênero. Isto atraiu outros grupos de
estudantes dispostos a alugar outros apartamentos. Os moradores preocupados
pediram uma assembleia extraordinária. Mas para surpresa da maioria, alguns
moradores gostavam da ideia de compartilhar o aluguel como uma república. Isto financeiramente
era melhor e mais fácil de alugar. Com a assembleia dividida restou ao síndico
fazer o seguinte pronunciamento: iria convidar umas primas de Copacabana, conhecida
também pela prostituição, para alugarem apartamentos no prédio, num novo
mercado na zona norte da cidade. Foi um escândalo, mas o fato é que o problema
foi resolvido. Expulsaram do prédio os rapazes, futuros médicos, e a paz
voltou a reinar.







