terça-feira, 21 de maio de 2013


A moradora fogosa e o zelador português.

O zelador do prédio era o sr. Manuel, um português de Trás dos Montes, casado com a Dona Maria também da mesma região. 


Moravam no apartamento destinado ao zelador no térreo. 

Além de zelador  o seu Manuel era um faz tudo, consertando e fazendo pequenos reparos nos apartamentos dos moradores em troca de pequenas gorjetas que ajudavam no orçamento doméstico. 

Como não tinham filhos, a Dona Maria trabalhava como doméstica em um dos apartamentos. 

Numa ocasião, mudou-se para o prédio, um casal jovem e sem filhos. 

Ela, Gisele, uma loira, alta, de olhos azuis, falante e com um olhar de malícia.   

Ele, Roberval, reservado, trabalhava em plataforma de petróleo, com regime de quinze dias embarcado e quinze dias em terra. 

Como a Gisele não trabalhava, ficava angustiada nos períodos que o Roberval estava embarcado.  

Os dias não passavam e ela sem nada para fazer, ficava horas a ver novelas e revistas pensando em besteiras. 

Certa feita houve um vazamento na pia da suíte do casal. 

Ela apelou para o seu Manuel que providenciasse o conserto, marcado para o fim da tarde, quando largasse o serviço.  

Por volta das cinco horas da tarde, apareceu o seu Manoel devidamente equipado com a sua caixa de ferramentas. 

Abaixado para verificar o vazamento foi surpreendido sendo apalpado e abraçado por trás.

A levantar-se foi agarrado pelo pescoço e beijado. 

Assustado gritou: Ai Jesus, a Maria não pode saber. 

O português, na própria cama de casal, acalmou aquela potra fogosa no cio. 

Depois, um pouco cansado, providenciou o conserto, que era bem simples. 

Apenas a troca da carrapeta da torneira. 

Na mesma semana a torneira voltou a pingar e lá ia o seu Manoel fazer o conserto.  

Isto acontecia três e às vezes quatro vezes, nas quinzenas que o Roberval estava embarcado. 

Era engraçado que no período que o marido estava em casa, a torneira não pingava e nenhum reparo era necessário. 

Talvez era porque o Roberval mesmo fizesse o serviço, se é que vocês me entendem. 

A vida foi tocando, mas sorrisos e olhares marotos no elevador por parte da Gisele e o eu Manoel, começaram a aguçar a curiosidade das fofoqueiras de plantão, moradoras do prédio. 

Esta desconfiança chegou ao conhecimento de Dona Maria, que os flagrou na garagem, combinando outro conserto. 

"Oh Benedito", gritou ela,  com fúria: este canalha esta me traindo com esta cadela. 

Sou uma corna, disse e passou a bater no seu Manoel com raiva. 

Escândalo formado, não restou ao síndico, demitir o Manoel, dando-lhe três dias para que desocupasse o apartamento. 

O mesmo ocorrendo com a Dona Maria.

Gisele, aproveitando que o marido tinha  acabado de seguir para a plataforma, procurou um apartamento na praia num bairro distante. 

Entregou o apartamento, já que eram inquilinos, e tratou da mudança. 

Com se falavam, via rádio, uma vez por semana, explicou a Roberval que estava fazendo isto em razão da melhor qualidade de vida para o casal. 

Quando chegou, na semana seguinte, foi direto para o novo apartamento na praia. 

E a vida foi seguindo e não tivemos mais noticias do casal e dos vazamentos.

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