sábado, 4 de maio de 2013



Novela Mexicana.



Com muitos moradores, cada um tem a sua história particular.  

Gumercindo, vindo da Parnaíba, Piauí, certa vez, em uma roda de vizinhos, contou a sua.  

Tinha vindo para o Rio de Janeiro, no inicio dos anos setenta, em busca nas de emprego na construção civil. 

Deixou a mulher e um casal de filhos, e com dinheiro contado para a passagem de ida, refeições baratas e hospedagem numa pensãozinha barata, por no máximo uma semana. 

Como não tinha nenhuma habilidade profissional, a semana passou rápida e o dinheiro acabou. 

Para sobreviver, percebeu que muitos, catavam papelão nas lojas do centro para revenda e pernoitavam em baixo das marquises. 

Um dia, a loja em que ele dormia sempre, foi assaltada, tendo os larápios invadido a mesma pelos fundos. 

Era uma loja de autopeças, que percebeu que varias peças haviam sido surrupiadas. 

O proprietário, preocupado com o fato, pediu ao catador de papelão que pernoitasse dentro da loja, de forma a espantar os gatunos, além de dormir protegido da chuva e do frio, em troca de um café da manha, que consistia de uma média de café com leite e um pão com manteiga. 

E assim prosseguiu sua vida, catando papel durante o dia e como vigia da loja, à noite. 

Logo percebeu que se tratavam  de quatro lojas, em diferentes bairros e em franca expansão. 

Certo dia, ao abrir a loja, o proprietário   percebeu que dois dos seus cinco empregados não haviam comparecidos. 

Como era dia de muito movimento, o dono da loja ofereceu a proposta de que ele ficasse como ajudante neste dia e em troca seria pago o mesmo que ele retirava na coleta dos papelões. 

No outro dia, tudo se repetiu e nos próximos  também, até que um dos funcionários  faltosos, precisou se afastar por um período maior para tratamento de saúde.  

Neste período, Gumercindo ganhou a confiança do proprietário que prospera com  novas lojas. 

Em pouco tempo ele já nem se lembrava que catava papelão. 

Com um salário razoável,  mandou buscar a patroa e os dois filhos no Piaui. Tudo corria bem. 

O patrão prosperava e deu lhe, em gratidão, uma pequena participação no negocio que chegou a trinta lojas de autopeças espalhadas pelos mais diversos bairros e municípios. 

Gumercindo comprou o seu primeiro carro e pouco tempo depois um apartamento de classe média.  

Os filhos já estavam na faculdade e o mais velho, Gumercindinho, logo se formou em Advocacia. 

Casou em seguida, depois de um curto namoro com Dorothéa, uma sirigaita do subúrbio. 

Tudo ia muito bem até que o destino mudasse tudo. 

Numa de suas inúmeras viagens a São Paulo, para compra de autopeças, aconteceu um acidente aéreo com todos mortos. 

O proprietário da cadeia de lojas não tinha herdeiros e a viúva não tinha como tocar o negócio. 

Até tentou com a ajuda do Gumercindo. 

Mas faltou a habilidade e experiência do dono. 

Gumercindo, já aposentado pelo INSS, viu tudo ruir em menos de um ano.  

Mas com apartamento próprio a aposentadoria e os filhos independentes, deu  para sobreviver. 

Mas o destino, mais uma vez, pregou-lhe uma peça. 

Raimunda, a filha mais nova, acabara a pouco, o curso de engenharia civil. 

Já estagiária de uma grande construtora foi logo contratada. 

De capacete e uniforme foi atropelada e  morta, ao atravessar uma avenida de grande movimento. 

Desde então, o casal da Parnaíba, entrou em profunda depressão. 

Para piorar, Gumercidinho, separou-se de Dorothéa e foi viver com Josenildo, um antigo amigo de infância e morador do mesmo prédio.

                                                 

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