Novela Mexicana.
Com muitos moradores, cada um tem a sua história particular. Gumercindo, vindo da Parnaíba, Piauí, certa vez, em uma roda de vizinhos, contou a sua.
Tinha vindo para o Rio de Janeiro, no inicio dos anos setenta, em busca nas de emprego na construção civil.
Deixou a mulher e um casal de filhos, e com dinheiro contado para a passagem de ida, refeições baratas e hospedagem numa pensãozinha barata, por no máximo uma semana.
Como não tinha nenhuma habilidade profissional, a semana passou rápida e o dinheiro acabou.
Para sobreviver, percebeu que muitos, catavam papelão nas lojas do centro para revenda e pernoitavam em baixo das marquises.
Um dia, a loja em que ele dormia sempre, foi assaltada, tendo os larápios invadido a mesma pelos fundos.
Era uma loja de autopeças, que percebeu que varias peças haviam sido surrupiadas.
O proprietário, preocupado com o fato, pediu ao catador de papelão que pernoitasse dentro da loja, de forma a espantar os gatunos, além de dormir protegido da chuva e do frio, em troca de um café da manha, que consistia de uma média de café com leite e um pão com manteiga.
E assim prosseguiu sua vida, catando papel durante o dia e como vigia da loja, à noite.
Logo percebeu que se tratavam de quatro lojas, em diferentes bairros e em franca expansão.
Certo dia, ao abrir a loja, o proprietário percebeu que dois dos seus cinco empregados não haviam comparecidos.
Como era dia de muito movimento, o dono da loja ofereceu a proposta de que ele ficasse como ajudante neste dia e em troca seria pago o mesmo que ele retirava na coleta dos papelões.
No outro dia, tudo se repetiu e nos próximos também, até que um dos funcionários faltosos, precisou se afastar por um período maior para tratamento de saúde.
Neste período, Gumercindo ganhou a confiança do proprietário que prospera com novas lojas.
Em pouco tempo ele já nem se lembrava que catava papelão.
Com um salário razoável, mandou buscar a patroa e os dois filhos no Piaui. Tudo corria bem.
O patrão prosperava e deu lhe, em gratidão, uma pequena participação no negocio que chegou a trinta lojas de autopeças espalhadas pelos mais diversos bairros e municípios.
Gumercindo comprou o seu primeiro carro e pouco tempo depois um apartamento de classe média.
Os filhos já estavam na faculdade e o mais velho, Gumercindinho, logo se formou em Advocacia.
Casou em seguida, depois de um curto namoro com Dorothéa, uma sirigaita do subúrbio.
Tudo ia muito bem até que o destino mudasse tudo.
Numa de suas inúmeras viagens a São Paulo, para compra de autopeças, aconteceu um acidente aéreo com todos mortos.
O proprietário da cadeia de lojas não tinha herdeiros e a viúva não tinha como tocar o negócio.
Até tentou com a ajuda do Gumercindo.
Mas faltou a habilidade e experiência do dono.
Gumercindo, já aposentado pelo INSS, viu tudo ruir em menos de um ano.
Mas com apartamento próprio a aposentadoria e os filhos independentes, deu para sobreviver.
Mas o destino, mais uma vez, pregou-lhe uma peça.
Raimunda, a filha mais nova, acabara a pouco, o curso de engenharia civil.
Já estagiária de uma grande construtora foi logo contratada.
De capacete e uniforme foi atropelada e morta, ao atravessar uma avenida de grande movimento.
Desde então, o casal da Parnaíba, entrou em profunda depressão.
Para piorar, Gumercidinho, separou-se de Dorothéa e foi viver com Josenildo, um antigo amigo de infância e morador do mesmo prédio.
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