segunda-feira, 3 de junho de 2013

O Roubo de gasolina.


Na  época, durante os anos 80 era comum o racionamento de gasolina. 

Os postos fechavam as vinte horas das sextas feiras e só voltavam a funcionar na segunda as seis horas da manha.

Isto causava um um tormento para os proprietários de veículos. 

Para os que precisavam viajar era um problema ainda maior. Isto sem contar com os constantes aumento nos preços dos combustíveis, fazendo que ao anuncio de aumento na televisão, imediatamente filas quilométricas se faziam para abastecer. 

É que o aumento  tinha validade para zero hora do próximo dia. Dai as filas. Por tudo isto, gasolina era como ouro. 

Tinha ate aqueles que armazenavam em seus próprios apartamentos pondo em risco todos os moradores. 

E tinha também aqueles que furtavam, nas garagens, durante a madrugada. 

Eles arrebentavam a tampa do deposito de combustível e com uma mangueira, chupavam o mesmo até que por força da gravidade transferiam o mesmo para um balde. 

Depois faziam a operação inversa, colocando no próprio carro. 

Os mais espertos furtavam no máximo cinco litros de cada veículo de forma que os proprietários não percebessem. 

Este problema acontecia em quase todos os prédios grandes da região. 

Como ainda não existiam câmeras era praticamente impossível pegar os gatunos, mesmo que com a ronda noturna dos vigias que dormiam mais do vigiavam. 

Certa noite, um porteiro precisou ir ao banheiro. 

Era madrugada, e quando retornou ao posto percebeu um movimento de baldes e mangueiras onde um jovem de seus dezoito anos furtava gasolina de um veiculo de outro morador. 

O sindico foi chamado e por se tratar de um jovem, chamou o pai do rapaz. 

E o pai, desceu à garagem e falou direto para o sindico: tome as providenciam devidas. 

Complementou: ela já é de maior e por isto mesmo chame a policia. 

O sindico ficou estupefato com a atitude do pai. 

Mas sabe-se lá o porque dessa atitude. 

Provavelmente o rapaz já tivesse aprontado muitas outras. 

O sindico então para evitar escândalos foi com o gatuno em seu próprio carro, junto com a testemunha, no caso o porteiro.  

Lá chegando depois de tudo explicado o delegado colocou o gatuno numa cela ao lado de outra com cinco bandidos violentos e mal encarados. 

Assobiarem para o rapaz e pediram ao delega para deixar o garotinho com eles. 

Assustado o moleque não dormiu. 

O delegado explicou ao síndico que não lavraria a ocorrência para que a ficha do rapaz manchasse  o inicio de sua vida adulta. 

Disse que o soltaria na manhã seguinte depois de uma dura preleção e com ameaça de  dormir junto com os outros presos em caso de reincidência. 

Realmente os furtos acabaram não só  pela noticia bem como os boatos entre os jovens. 

Pouco tempo depois a família se mudou e não tivemos mais noticias mas sempre esperando que a lição tenha tido efeito.



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